Publicado por: Flavia Sbragia | 05/10/2013

Continuando Vernio

Prato del Sole

Continuando a cidade da publicação anterior (veja aqui), vamos passear por mais lugares interessantes de serem visitados em Vernio. Agora vamos conhecer lugares de grande beleza natural e interesse histórico. Vamos passear por seus parques, ruínas e encontrar belos locais para momentos de reflexão, sejam eles com a natureza, sejam ele com nós mesmo.

Vernio - Casa-del-MulinoPrato del Sole e Giardino Geometrico del Mulino – é um jardim cercado por árvores e que em seu centro encontramos uma escultura de metal esmaltada simbolizando o Sol. Foi doada pelo pintor Bruno Saetti Montepiano, antigo morador da Casa do Moinho. Lá ele encontrou um ambiente ideal para viver e desenvolver seu trabalho artístico. Foi sua vontade que o jardim botânico fosse público, para que os cidadãos e visitantes da cidade pudessem contemplar, em seus bancos espalhados pelo parque, uma área pacifica e harmoniosa. Atualmente a Casa del Mulino é usada como escola de arte.

Rocca di VernioRocca di Vernio – é uma aldeia que compreendia o que hoje são as cidades de San Quirico e Sasseta, atualmente é o nome dado ao castelo e os vestígios da fortaleza que ainda permanecem no local. O castelo teve grande importancia militar no século XIV, mas foi parcialmente destruído entre os séculos XIV e XV, durante as guerras que devastaram o território de Vernio. Hoje é uma propriedade privada que pode ser visitada agendando com seus proprietários. Em contrapartida a aldeia ainda está bem preservada. Podemos ver as casas dos senhores feudais e uma capela dedicada a Santa Ágata de 1556 e refeita em 1706.

Vernio Parco NaturaleAlta Carigliota e Monte delle Scalette –  é uma área natural protegida. Oferece uma paisagem selvagem de montanha de grande beleza, nela podemos ver perfeitamente a coroa feita pelos cumes das montanhas dos Apeninos. É um local marcado pela força da água e do vento. Nele encontram-se eventos geomorfológicos de grande interesse.

Parco linea-goticaParco Memoriale della Linea Gotica – Parque localizado em um dos principais vales fluviais do Bisenzio, mais particularmente em Sieve e Mugello, é um local onde ainda existem importantes vestígios de onde outrora foi um reduto alemão.

Conhecido também por Colina 810, o Monte delle Scalette foi o ponto de defesa nos 334 dias das batalhas entre alemães e estadunidenses. Em 9 de setembro de 1944 começou o chamado “ataque a Linha Gótica”, momento em que o monte teve grande importância tática pois permitia controlar o ritmo de Montepiano, onde os aliados poderiam facilmente contornar os defensores notadamente alemães na estratégica passagem Futa, e também possibilitar um rápido avanço para Bolonha.

Infelizmente dezenas de civis foram envolvidos tragicamente, em sua maioria famílias refugiadas nas montanhas como forma de escapar dos bombardeios e ataques sofridos pelas aldeias, vilas e cidades próximas. Hoje a esperança é que o parque com seu monte seja um lugar de encontro e de memória onde leve o visitante a refletir sobre o que suas responsabilidades individuais afetam a formação de uma responsabilidade politica.

Vernio linea-goticaTodos os anos, no terceiro domingo de setembro, há uma tradicional festa de aniversário da batalha. As mais altas autoridades civis da Toscana, bem como representantes de associações Arma americano italiano e alemão , e os departamentos militares em serviço sempre estão presentes no evento.

Ainda podemos encontrar na área outras importantes testemunhas da guerra:  o cemitério militar alemão na passagem Futa e o Cemitério Militar Sul-Africano , na pequena cidade de Castiglione dei Pepoli. Em Prato, o Museu da deportação e o monumento aos 29 Partigiani capturados e enforcados na ultima saída do exercito alemão, enquanto desciam as montanhas para juntarem-se aos aliados.

** Fotos do site da comune di Vernio

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Publicado por: Flavia Sbragia | 28/09/2013

Conhecendo Vernio

VernioCriada pelos romanos como ponto estratégico para reprimir as populações celtas da Gália, Vernio é uma cidade localizada na província de Prato. Seus primeiros habitantes foram legionários envolvidos nas batalhas contra os gauleses . Era um acampamento de inverno para as tropas romanas no caminho para o Vale do Pó. Fato que deriva seu nome, vindo do latim “Hibernia” (inverno) originando-se Vernio.

Seus primeiros senhores feudais foram os Cadolingi, que foram sucedidos pelos Albertis no século XII. No entanto foram as paróquias e mosteiros os verdadeiros incentivadores da economia local. Subindo até seus campos, os religiosos cultivavam muito as terras e realizavam atividades que visavam explorar a água, como moinhos, fábricas e fundições.

Com o declinio dos Albertis, Vernio foi vendido em 1332 os Bardis , uma família de ricos banqueiros e comerciantes vindos de Florença , que transformou a área , que encontramos hoje, em um centro comercial  especializado no transporte fluvial de madeira para Prato. Hoje sua economia está ligada à pastagem e silvicultura.

Para visitar temos:

Vernio - Badia di S. Maria a MontepianoBadia a S. Maria a Montepiano – é um complexo compreendido pela Igreja e o mosteiro. Originários do século XI, seus edifícios atuais são do século XII. A Igreja sofreu várias alterações ao longo do tempo, no entanto as formas do período românico permanecem presentes. Em sua fachada e laterais podemos ver em arenito, arcos frisos. O portal mostra a arquitrave* e baixos-relevos em estilo arcaico.  Do seu interior surge a bela torre sineira construída nos séculos XVI e XVII. Do mesmo período são as duas capelas . Seu interior tem uma única nave retangular com treliças de madeira. Podemos encontrar importantes afrescos que datam de 1260-1280. O mosteiro, abandonado durante o século XVI, foi parcialmente demolido no século XIX, como resultado de danos causados ​​por um terremoto.

* A arquitrave é o lintel ou viga que repousa sobre os capiteis das colunas. Uma trave horizontal que se apoia em duas ou mais colunas, cuja origem remonta à arquitetura clássica, mas que continuou presente em quase todos os estilos dela derivados. Consistia num elemento fundamental da cobertura plana, chamado de lintel. (wikipedia)

Vernio - CasoneCasone e Oratorio de São Niccolau – antiga residencia da família Bardi, hoje abriga a prefeitura. Seu complexo foi contruido por volta do século XVI até os primeiros anos do século XVIII. Sua fachada é elegante e simples. O hall de entrada apresenta um detalhado teto de madeira e um lance de escadas onde vemos um teto abobadado nos levando ao primeiro andar. Nele há o salão do Conselho, onde vemos  várias pinturas do século XVIII em suas paredes. Ao lado do prédio há o Galleria, que é uma sala utilizada para abrigar pinturas. Ele tem a função de corredor que vai até o Oratório de São Nicolau. O oratório é uma sala iluminada por três grandes janelas de cada lado. Em suas paredes há pinturas representando os apóstolos e o altar é ornamentado com uma obra atribuída a Giovanni Antonio Pucci.

Vernio - Pieve-San-Ippolito-o-San-PoIgreja dos santos Ippolito e Cassiano – Foi a igreja mais importante do feudo de Vernio. Seu altar de pedra foi construido em 1757 a mando do Cardeal Girolamo Bardi. Sua aparencia atual é incrivel, possui ainda uma torre sineira medieval. Em seu interior há uma unica nave com telhado de barrotes de madeira que termina em um coro quadrangular coberto por uma abobada que dá origem a um arco triunfal de volta perfeita.

Outros lugares de interesse religioso e artistico a serem visitados: Igreja de São Pietro a Cavarzano, Igreja de São Martino a Luciana, Igreja de Santo Antonio da Padova a Mercatale, Santuario di Sant’Antonio Maria Pucci ,Igreja de São Leonardo e San Quirico e Igreja de São Michele Arcangelo a Sasseta

** Fotos do site da comuna di Vernio

…Continua na próxima publicação…

Publicado por: Flavia Sbragia | 21/09/2013

Passeando em Zeri

Zeri 6

Região muito procurada para descansar do corre-corre das cidades grandes, apreciando o clima calmo das montanhas, Zeri ainda é um local onde podemos desfrutar suas belezas naturais e também tentar desvendar alguns de seus mistérios.

Um lugar onde durante o ano todo oferece atrações para seus visitantes não pode deixar de fazer parte de quem quer conhecer um pouco mais a Toscana. Se você gosta de passeios mais ecológicos, durante o verão à trilhas para serem feitas, lugares como a cachoeira Colombara ,que em dias quentes de verão oferece aos visitantes shows espetaculares de luz. Durante o inverno há a opção de se aventurar na estação de esqui Zum Zeri-Passo dei due Santi 

O mistério você pode encontrar percorrendo as antigas fazendas, misteriosas cabeças de pedra foram esculpidas em algumas paredes, são chamadas de “facion”. Seu significado até hoje não foi desvendado. Ou percorrendo a ponte de ruídos.  Essa ponte atravessa um canal muito profundo que segundo a lenda o corpo de um homem que estava possuído pelo diabo foi jogado nas águas abaixo. Dizem que até mesmo quando ele estava morto continuou a gritar e que ainda hoje é possível ouvir os sons de correntes e gritos misteriosos.

Zeri 5Visite também Montelama a chamada cidade dos magos. Ficou famosa porque muitos dos habitantes da cidade eram conhecidos por sua bruxaria e que entre elas havia uma que transformava homens em animais. Mito ou verdade? Alguns de seus mistérios não desvendados.

Mas se você não perde conhecer mais sobre história, não deixe de visitar a Aldeia de Formentara. Uma antiga vila de montanha, surgida provavelmente antes de 1500 que é composta por cerca de 20 casas já desabitadas, construídas com pedra local e com telhados feitos de piagne (grandes pedras planas). Hoje o local serve para escavações arqueológicas, mas a cidade foi preservada, levando seus visitantes a irem visitar o  passado, um tempo antigo com suas tradições perdidas nas assas do tempo.

Ainda há a Casa Mori, pertencente, no século 16, à uma das familias mais famosas e ricas de Zeri, os Mori. É uma exemplo tipico de casas da aristocracia rural da Lunigiana. Dizem que tem cerca de cinquenta quartos, incluindo adegas. Uma área de cerca de 600 metros quadrados e 15 mil metros cúbicos.

Zeri 4Para quem não perde a oportunidade de conhecer a gastronomia local, no mês de abril é realizada a festa  “Sagra del Testo”, nela podemos saborear suas receitas feitas de produtos típicos que só são encontrados por lá, tal como cogumelos, castanhas e legumes. Esses são os ingredientes base de lá, No evento os alimentos são cozidos de acordo com o método dos tempos etruscos, em “testi” (recipientes de ferro fundido para colocar sob as brasas).

No mês de maio há a celebração ” Cinque Giornate del Gusto” (Cinco dias do sabor). Cada domingo do mês é dedicado a um prato típico. Ele começa a partir das entradas, iguarias reais, em seguida, passa para o primeiro prato, feito com farinha de castanha, o segundo prato está presente o cordeiro e não menos importante, as ovelhas cujo leite parece ser um elixir da vida, pois a idade da população supera os 95 anos, e é por isso que Zeri é considerada uma região com uma alta taxa de longevidade.  E depois há os deliciosos queijos locais , que são muito apreciados pelos gourmets  e também os muitos doces feitos com avelãs .

Não importa seu tipo de viagem, visite Zeri e saia de lá renovado!!

* mais sobre Zeri na publicação anterior

**fotos tiradas da comune de Zeri no Facebook

Publicado por: Flavia Sbragia | 14/09/2013

As belezas e mistérios de Zeri

ZeriLocalizado no Alto Lunigiana na provincia de Massa-Carrara, Zeri é o nome dado à uma região que compreende 23 cidades e que fazem fronteira com a Liguria e Emilia Romagna. Estende-se por uma área de 73 km²  de planalto rodeado de montanhas.

Com colinas, vales e pastos tem sua natureza totalmente intacta, graças ao seu isolamento e também pela preservação por parte de seus habitantes. É um ótimo lugar para quem quer descansar das agitações das cidades grandes e ir curtir o clima calmo e agradável das montanhas sem deixar os confortos da vida moderna de lado.

No entanto, mesmo com o clima propicio à um belo descanso, em Zeri você também pode se aventurar pelas colinas fazendo trilhas e, no inverno, até mesmo esquiando por suas belas montanhas. Os 365 dias do ano são ideais para visitar a região que é uma área de interesse natural, com muita história, mistérios, excelente gastronomia local e atividades de lazer.

Zeri 2Para se ter um exemplo da sua diversidade temos as cidades Patigno e Walnut  que estão localizados em um ambiente de montanha, enquanto Paretola , Floresta e Vale são centros de campo cercado por densas florestas de castanheiros. É um tipico local onde ainda encontramos ovelhas em toda a parte e também gados criados como antigamente, livres pelos pastos.

Pelo seu centro histórico podemos admirar a arquitetura rural, muito particular na aldeia de montanha de Formentara, onde encontramos uma pequeno Maestà* em mármore , pequenas estátuas de santos dispostas ao longo das estradas e também várias antigas festividades pastorais e uma cozinha unica, tendo como principal ingrediente a castanha.

Em suas cidades, ainda hoje podemos admirar casas antigas , igrejas, pequenas cidades no alto de colinas e moinhos ocultos. Tudo nos remetendo aos dias muito antigos, no tempo em que a vida era vivida de acordo com os ritmos e ciclos da natureza e da família. Ainda podemos encontrar o que foi o núcleo fundamental da comunidade e uma unidade produtiva independente

Zeri 3Quando você entra no território de Zeri, por todo o seu ar de mistérios, pode-se ter uma sensação de sacralidade. Em Patigno, que é a sede administrativa do município, encontra-se o santuário dedicado à Nossa Senhora de Lourdes no Colle della Gretta. Há também a igreja de Patigno, local que atrai peregrinos de toda a Itália que vão em busca da Ordem carismática.

Cada uma das suas 23 aldeias possui sua própria igreja e cada uma dedicada a um santo diferente. E por isso durante todo o ano são organizadas as festividades para cada padroeiro em cada cidade. Essas celebrações não só envolvem os habitantes das cidades como também dos turistas que aproveitam as festas para conhecer as tradições e hospitalidade do local.

Maestà é o nome dado a representação de Maria com o Menino sentada no trono, rodeada por santos e anjos

**Fotos tiradas da página da comune de Zeri no Facebook

Continua na próxima publicação

Publicado por: Flavia Sbragia | 08/09/2013

Brunello di Montalcino

Montalcino Castle in Tuscany* Queridos viajantes, hoje é dia de nos deliciarmos tanto com uma cidade pitoresca como com um dos produtos mais famosos da Região Toscana, o delicioso Brunello di Montalcino. Vamos saborear uma publicação do site “Tintos & Tantos” que nos brindou com este saboroso texto.  

Por Tintos & Tantos  (matéria original)

Montalcino fica na região central da Itália, na Toscana, 40 km ao sul da cidade de Siena, em um local de rara beleza, declarado pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade. A pequena cidade de Montalcino foi pensada para ser uma fortaleza impenetrável, e talvez esse seja um de seus maiores charmes. Parece pouco? Montalcino é, além disso, o berço de grandes vinhos!

Com uma vocação natural para produzir excelentes vinhos, muitas descobertas arqueológicas em Montalcino apontam para uma história com mais de 2.000 anos de vitivinicultura. Mas, durante muito tempo, o Brunello di Montalcino foi considerado um vinho raro, reservado a apenas alguns conhecedores de paladar refinado.

Apenas na segunda metade do século 20, Brunello di Montalcino deixou de ser uma delicadeza disponível para pouquíssimos, e tornou-se um símbolo universal de vinhos italianos de qualidade. Em 1966, o Brunello di Montalcino foi um dos primeiros vinhos a ser reconhecido pelo sistema DOC. Em 1980, esse foi o primeiro vinho de toda a história a ser classificado como DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantita), atendendo a normas muito restritas de produção.

Um vinho Brunello di Montalcino é obtido somente a partir de uvas Sangiovese, uma videira que inclusive é tradicionalmente chamada de Brunello, nesta região. Se quiser saber mais sobre a cepa Sangiovese, clique aqui.

Muitos prêmios foram concedidos a vinhos Brunello di Montalcino, ao longo dos anos, e um dos segredos da qualidade desses vinhos está no próprio vinhedo: o trabalho manual meticuloso. Para ser rotulado como Brunello di Montalcino, a vinha deve ter baixo rendimento e colheita manual.

O vinho Brunello di Montalcino só pode ser comercializado 5 anos após a colheita. Durante esse tempo, o amadurecimento em barris de carvalho deve ser de, pelo menos, 2 anos. O envelhecimento em garrafa deve ser, minimamente, de 4 meses para safras normais, e 6 meses para Reserva. Mas esse é um vinho que pode viver, muito bem, até 30 anos esperando para ser apreciado.

Todo esse cuidado produz vinhos de sabor intenso e harmônico. Harmonizar um Brunello di Montalcino com refeições à base de carne vermelha, com pasta ou risoto ao funghi, é chegar mais perto do paraíso.

Essa é uma denominação tão reconhecida mundialmente, que o consórcio de vinícolas da região comercializa vários produtos oficiais licenciados com essa marca, como camisetas, aventais, decantadores, taças e bonés. Montalcino também tem o mérito de abrir caminho para o enoturismo italiano, com adegas abertas para visitas guiadas, que recebem milhares de visitantes por ano, de todo o mundo.

Um pulinho na Toscana, com uma parada em Montalcino, ou um delicioso Brunello, em casa mesmo, mas em boa companhia… nada mau, hein?

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* fotos Tintos & Tantos

Publicado por: Flavia Sbragia | 07/09/2013

A pitoresca Stia

StiaHoje vamos falar de mais uma cidadezinha pitoresca desta linda região. Stia, desconhecida de muitos ela está localizada a uma altura de 441 m acima do nível do mar na província de Arezzo. Sua população é de aproximadamente 3.000 habitantes.

O primeiro documento escrito sobre a aldeia de Stia é datado de 1053 no Resumo Camaldolese onde pode-se ler a  “Plebe S. Mariae de Staia”. Em 1093 aparece novamente nas suas páginas uma citação de um  “casale de Stia”

Foi durante a Idade Média que a pequena Stia se desenvolveu. Em torno da Igreja e da praça principal a cidade foi dando forma juntamente com um dos castelos mais antigos dos Condes Guidi, o  então chamado de “Contea di Porciano”. Foi fortemente ligada à Firenze com os Médici e Habsburgo – Lorena.

Seu grande desenvolvimento se deu graças à lã, tornou-se uma grande centro de produção. Foi lá onde “nasceu” o famoso Panno Casentino, que é produzido e comercializado hoje por duas empresas locais. No entanto, hoje ela sobrevive do turismo.

Percorrendo a cidade temos vários lugares interessantes de serem visitados:

Piazza TanucciPiazza Tanucci, ela é o coração de Stia. Leva o nome do famoso estadista e iluminista do Reino de Nápoles Bernardo Tanucci nascido em Stia em 1698. Sua peça central é uma homenagem à Tanucci, uma bela estrutura de forma irregular cercado por arcadas. Uma caracteristica de todo o traçado urbano do centro histórico. Nela também podemos encontrar um afresco de Pietro Annigoni  retratando São Francisco, próximo à igreja românica de Santa Maria Assunta.

Pieve di Santa Maria Assunta, uma das igrejas românicas do alto Casentino. Vista da Piazza Tanucci, sua estrutura básica é do século XII. Seu interior mantem a nave românica original e duas naves divididas por colunas monolíticas.

Nela podemos ver as seguintes obras de grande valor artístico:

Santa Maria Assuntatrittico dell’ Annunciazione e Santi di Bicci di Lorenzo (1414)
Madonna col Bambino della scuola di Cimabue
Madonna col Bambino – terracotta bianca invetriata di Andrea della Robbia (1437-1528)
ciborio in terracotta policroma invetriata, opera della bottega dei Della Robbia (sec.XVI)
La cena di Gesù in casa del fariseo – Simone Ferri, 1596
Assunzione della Vergine – Maestro di Borgo alla Collina sec. XV
Crocifisso in legno dipinto sec.XVI
Predica del Battista – Olio su tela di Gian Domenico Ferretti (1692-1766)

Palagio FiorentinoPalagio Fiorentino. Localizado no centro da cidade o castelo foi construido em 1230 e completamente destruido em 1440. o prédio atual foi construido por Carlo Beni, autor do “Guida del Casentino”. Seu visual hoje possui o estilo neo-gótico com fachadas e escadarias que lembram o castelo de Poppi. Hoje o palácio abriga a Coleção de Arte Contemporânea e também é usado para grandes exposições e conferências.

Castello do Porciano, é um dos mais antigos castelos dos Conti Guidi e também um dos mais interessantes do vale por ser um raro exemplo de castelo torre. è famoso pelas memórias de Dante: a tradição diz que Dante foi mantido prisioneiro depois da batalha de Campaldino.Castello di Porciano

E também: o Oratorio della Madonna del Ponte, Chiesa di S.Lorenzo Dionisio a Porciano, Santuario di Santa Maria delle Grazie, Moinho di Bucchio, Castello d’Urbech, Chiesa di S.Andrea Corsini a Gaviserri, Chiesa di Santa Cristina a Papiano, Maestà di Montalto e Oratorio della Madonna del Ponte.

Além dos museus: Museo dell’Arte della Lana, Collezione d’Arte Contemporanea, Museo dello Sci, Collezione Ornitologica “Carlo Beni”, Museo del Bosco e della Montagna e Museo del Castello di Porciano

* fotos site da Comune di Stia

Publicado por: Flavia Sbragia | 31/08/2013

Descobrindo Poppi

POPPIPercorrendo as estradas da Toscana, várias vezes avistava ao longe algumas vilas. Via lá em cima das colinas um castelo com seu muro e ficava pensando o quão sonhador seria a cidadezinha. Foi numa dessas viagens que conheci minha querida Monteriggioni.

Então hoje vamos viajar por uma de suas pitorescas vilas. Vamos nos permitir voltar ao passado, entrar em seus muros e conhecer seu castelo.

Poppi, tão pequena quanto seu nome, 96,9 km², está localizada na província de Arezzo a 40km a leste de Florença, tem sua extensão desde do cume dos Apeninos até o vale do Arno. Está no centro de uma colina com terraço a 437m de altura, que compreende a planície  do Campaldino e do vale do Arno Superior. Surgiu como um feudo dos condes Guidi de Battifolle, em 1191, que mais tarde se tornou um assento Vicariato.

Castello dei Conti GuidiPoppi está na lista das mais belas aldeias da Itália, pois preserva intacta sua arquitetura do centro medieval. A estrutura fortificada remonta do ano de 1200 quando foi residência nobre dos Guidi. A vila tem uma particular forma de “L”, começa no castelo e termina na Abazzia de San Fedele. Dois lugares imperdíveis de visitar.

O Castello dei Conti Guidi, ou Castelo de Poppi, é um palácio acastelado que externamente muito se assemelha ao Palazzo Vecchio de Firenze. Em seu pátio interior vemos escadas que levam a grandes quartos, a um salão de baile e também ao topo da Torre, onde podemos admirar uma das mais belas vistas da região. Em sua capela podemos encontrar os afrescos de Taddeo Gaddi, discípulo de Giotto. O castelo ainda abriga uma biblioteca com 25 mil volumes Riliana e mais de mil manuscritos e incunábulos antigos.

abbazia di San FedeleOutro ponto turístico é a Abazzia de San Fedele. Sua estrutura arquitetônica é do século XIII. Nela encontramos inúmeras obras de arte, tais como: um crucufixo de Giotto, um grande painel do século XIV da Madonna con bambino S. Giovannino , atribuídas a Filippino Lippi, e também pinturas de Jacopo Ligozzi, Portelli, Davanzati, Francesco Morandini e Solosmeo.

Outros locais interessantes são: a igreja dedicada a São Marco e Lorenzo e o Oratório da Madonna del Morbo, construção hexagonal do século XVII.  E o Centro Histórico que é incomum na Toscana, pois sua arquitetura apresenta longas arcadas em suas ruas principais. Ao centro encontramos a  Piazza Amerighi, com o oratorio della Madonna del Morbo (sec. XVII).

Todo ano, em agosto, é realizada na cidade  o “IL GUSTO DEI GUIDI”, um interessante evento dedicado ao vinho toscano e alimentos típicos Casentino.

Visite Poppi e volte no tempo!!

* Fotos de Alessandro Ferrini – site Comune di Poppi

Publicado por: Flavia Sbragia | 25/08/2013

Fièsole – nas proximidades de Florença, Itália

* Hoje vamos ficar com um lindo texto sobre Fiésole. Ele foi escrito  (e já publicado) por Augusto Martini, autor do blog As Simplicidades das coisas. Obrigada Augusto, por compartilhar seu conhecimento e sua experiência.

Por Augusto Martini

Quando estive em Florença, dediquei meio dia para conhecer Fiesole, uma cidadezinha fantástica que fica tão somente há 8 km ao norte. Situada em uma colina com vista para o Vale do Arno, sua fundação data do século VII aC e é atribuída aos etruscos.

A área arqueológica da cidade preserva um teatro romano, que atualmente é utilizado para algumas festividades da cidade. A partir dele, você pode desfrutar as vistas panorâmicas sobre a paisagem circundante, inclusive Florença. Algumas relíquias de um templo romano podem ser apreciadas no Museu Arqueológico.

Teatro Romano Fiésole

Teatro Romano de Fièsole

Na praça central está a Catedral de São Rômulo, que remonta aos séculos XI-XIII. Ao lado da Catedral está o Palácio Episcopal do século XI, que abriga também um seminário. A parte oriental da praça é ocupada por um Palacete Pretoriano, do século XIV. Entre o Palácio Episcopal e o seminário, está a Igreja e a praça de S. Garibaldi Alexander. No topo do morro está a igreja de São Francisco. Há também a casa Bandini, que abriga um Museu com fantásticas pinturas dos Sécs. XIII e XIV.

Os trabalhos de Giovanni Boccaccio retratam diversas vezes as colinas de Fiesole, pois as considerava um lugar ideal e agradável.

Visão do Vale - Fiésole

Visão do vale, olhando do páteo da igreja de São Francisco

Pico della Mirandola, em Fiesole, foi muito celebrado por Poliziano, freqüentado por Lorenzo, o Magnífico, e a partir do Renascimento é escolhido como residência das famílias ricas de Florença. As casas que se encontram na colina são elementos de prova dessa época. A partir da segunda metade do século XIX (quando Florença se tornou a capital da Itália, 1865-1870), em Fiesole, é realizado um extenso trabalho de reconstrução e de expansão urbana, com novas residências e habitação de classes médias. A cidade, basicamente, assume a aparência de hoje. Em 1873, são encontrados os restos do teatro romano (trabalhos que ficaram sob a supervisão do Marquês Carlo Strozzi) e que também criou o sítio arqueológico e Museu (1878).

Termas - Fiésole

Termas, que ficam dentro do sítio arqueológico do Teatro Romano

No clima de renascimento e de redescoberta do século XIX, começam a fazer parte significativa na população a presença cultural de estrangeiros, em particular britânicos. Um inglês reconstruiu o Castelo Vincigliata (John Temple), que introduziu por ali a reavivação da Idade Média na arquitetura do Castelo.

Muito do charme de Fiesole está vinculado, além de seus tesouros artísticos e arqueológicos, à sua beleza histórica e sua paisagem cênica. Você pode fazer passeios agradáveis e curtos para além das antigas muralhas. Em toda paisagem você verá muitos ciprestes, que foram introduzidos, segundo a tradição, pelos etruscos. Eles estão espalhados ao redor das moradias e casas como elemento decorativo de acordo com o estilo tardio-romântico do século XIX.

Fiésole

Vista de Fièsole, olhando de um dos muitos mirantes que existem na região

Durante a Renascença, os moradores ”encomendaram” muitas obras para a cidade, dando para as igrejas e residências um  belo visual externo. A cidade possui também belas esculturas e pinturas. O governo dos Médici teve um papel preponderante no apoio para essa reformulação territorial, e em Fiesole principalmente, visando servir aos interesses da cidade de Florença, inspirado por um sentimento de ordem e beleza, ditando uma regra comum para todas as artes. Você pode vislumbrar isso ao longo dos vales e montanhas e em todas as direções, observando o visual das casas e mansões.

Fiesole realmente é um lugar fantástico e que vale muito a pena ser conhecido. Fique até um pouco mais tarde e veja, lá das colinas, o pôr do sol sob Firenze! É uma visão do paraíso!

Publicado por: Flavia Sbragia | 24/08/2013

Muito mais que o berço de Pontormo

2439_empoliDa história à cultura, passeando pelas suas lindas ruelas da cidade velha, ricas em monumentos, museus, Igrejas, etc. Basta percorrermos as ruas que levam ao seu centro e as de seu dintorno que encontramos muita coisa para ver e conhecer.

Mais conhecido por ser o berço de Pontormo* não podemos restringi-la a apenas um artista. Obras de Masolino da Panicale, Lorenzo Monaco, Filippo Lippi podem ser facilmente encontradas no Museo della Collegiata.

Um museu interessante de visitar é o Museo del Vetro di Empoli, onde encontramos toda a história (com objetos, documentos e filmes) e importância do que é até hoje uma das atividades da cidade. E ainda há para ser visitados o Palácio Ghibelline, o Museu de Paleontologia, a Galeria de Arte Moderna , a Igreja Colegiada de Santo André e da Biblioteca Municipal Renato Fucini.

44253_empoli_empoliO centro da cidade é representado pela Piazza Farinata degli Uberti, chamada de “Piazza dei Leoni”, por causa da fonte de Louis Pampaloni. Ela está alinhada com alguns dos edifícios mais emblemáticos do ponto de vista do patrimônio histórico e artístico: a Igreja Colegiada, com o Museu adjacente do Colegiado, tesouro autêntico de obras de arte a partir do décimo quarto ao século XVII, Palácio Pretorio, Palácio Ghibelline, que abriga o Museo Civico Paleontologia e exposições temporárias feitas por algumas das muitas associações culturais que contribuem para enriquecer a cultura da cidade.

Para encontrar algumas obras Jacopo Pontormo devemos fazer uma curta caminhada à Igreja se S. Michele. Também é interessante visitar o local de nascimento do artista, um museu que se encontra na aldeia de Pontormo, vizinha a Empoli.

Mas Empoli não para por aqui. Ela oferece inúmeros festivais, eventos como shows e concertos. Possuí uma vida noturna ativa. Ideal para todas as idades, para qualquer tipo de turismo. Desde o histórico, passando pelo cultural, entrando no natural, com direito a passeios a cavalo, trilhas, rotas gastronomicas, etc.

visitation-1Uma cidade a ser visitada!

Jacopo Carucci (24 de Maio de 1494 — 2 de Janeiro de 1557), geralmente chamado Jacopo da Pontormo, Jacopo Pontormo ou simplesmente Pontormo, foi um pintor maneirista italiano da Escola Florentina. Era famoso pelo uso de poses contorcidas, perspectiva distorcida cores marcadamente incomuns e peculiares, que pareciam espelhar seu temperamento neurótico e inquieto.

Jacopo Carucci nasceu em Pontorme, perto de Empoli. Foi aprendiz de Leonardo da Vinci, Mariotto Albertinelli, Piero di Cosimo, e finalmente em 1512, de Andrea del Sarto. ( Wikipédia)

*fotos: 1 e 2 site caprionline.it
3 site wikipaintings.org

Publicado por: Flavia Sbragia | 17/08/2013

No coração da Toscana

Empoli caprionlineit

Neste final de semana falaremos de uma cidade muito importante tanto comercialmente quanto que artisticamente.

Geograficamente está localizada no coração da Toscana. Entre Firenze, Pisa e Siena, Empoli é hoje uma cidade que podemos dizer que tem um grande espírito empreendedor, muita criatividade e coesão social.

Muito ligada ao comércio, que a fez ser conhecida pela Itália e o mundo, Empoli ainda preserva sua história, sua arte seus encantos.

44254_empoli_nebliger_arno_bei_empoliOs achados mais antigos na região são datados da pré-historia, no Paleolitico Médio, entre 100.000 e 40.000 anos atrás. Algumas ferramentas de pedra foram encontradas na área compreendida entre Poggiale e Torrino di Martignana, e entre Piazzano e Cotone.

No entanto são os vestígios arqueológicos da época etrusca os mais consistentes. Um dos assentamentos mais populosos foi encontrado perto da confluência entre os rios Arno e Elsa, a Martignana.

Mas são do tempo romano os resultados mais numerosos, contínuos e substanciais. É nele datado o importante momento da região no ponto de vista histórico, artístico e sócio – econômico, em se tratando de uma reconstrução de como as pessoas viveram e vivem no transito pelo território. O resultados dos estudos reconstroem o que foi um importante centro comercial, bastante rico e animado, onde as mercadorias vinham por via fluvial de Pisa e tinham como destino principalmente as cidade de Firenze e Fiesole. O principal e mais característico produto da área era o chamado “ânfora de Empoli”. Construido em Avane entre os séculos II e V d.C. se espalhou por toda a península. Até hoje é uma marca da cidade.

Anfora de Empoli

Ânforas são vasos antigos de origem grega de forma geralmente ovoide e possuidoras de duas alças. Confeccionados em barro ou terracota, comduas asas simétricas, geralmente terminado em sua parte inferior por uma ponta ou um pé estreito, e que servia sobre tudo para o transporte e armazenamento de gêneros de consumo, tal como a salmoura. Era usada pelos gregos e romanos para conter sobretudo líquidos, especialmente o vinho. Servia também para conter azeite, frutos secos, mel, derivados do vinho, cereais ou mesmo água.” – wikipédia

Um registro histórico da época romana importante para a cidade é a chamada “Tavola Peutingeriana”, espécie de mapa do caminho romano onde encontramos o nome “Em Portu” denominando a região de Empoli. Dados fundamentais à reconstrução da sua história de Empoli.

na época Lombarda é muito comum vermos os nomes Monterappoli, Montepaldi, Riottoli, denominando a região. Somente por volta do ano de 780 é que aparecem os primeiros documentos escritos relativos à área como Empoli, sendo seu monumento mais representativo a paroquia de Sant’Andrea, mencionada em um artigo sobre o bispo de Firenze.

2438_empoliEm 1059, Niccolò II sancionou às autoridades um “pacote” de privilégios, entre eles a construção de um novo prédio que até hoje é considerado um símbolo da comunidade de Empoli, além de ser também exemplo da arte românica com sua bela fachada que o destaca.

Em 1119 a cidade foi fortificada facilitando o processo de transferência da população para a área em torno da igreja paroquial, formando assim, o centro da cidade. Em 1260, ela foi palco do congresso Ghibellino, no qual Firenze foi salva de ser totalmente destruída por Pisa e Siena, seus opositores econômicos e políticos. Em 1764, tempo da Reforma Leopoldina, depois do governo Medici, as ligas de Empoli, Pontorme e Monterappoli foram reunidas em uma só comunidade.

Voltando um pouco na história, os séculos XIV e XV foram marcados por um extraordinário florescimento artístico. Agnolo Gaddi, Lorenzo di Bicci, Mariotto di Nardo, Niccolò di Pietro Gerini, Lorenzo Monaco, Starnina, Bicci di Lorenzo, são alguns artistas desse tempo.

Sua vocação artesanal e comercial ficou mais intensa principalmente depois da Segunda Guerra Mundial, nos anos de boom econômico. A produção e fabricação de vidro, principalmente os à prova d’água e verde têm sido por décadas produtos exportados com qualidade para a Itália e o exterior, fazendo assim Empoli ser reconhecida em todo o mundo.

Não percam! Na próxima publicação as artes, cultura e tudo mais que Empoli nos apresenta.

*fotos: 1 site caprionline.it
2 site paesionlinenet.it
3 site dellastoriadempoli.it
4 site paesionlinenet.it

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