Publicado por: Flavia Sbragia | 02/10/2010

Meu primeiro Palio de Siena (parte II)

Estamos dentro da praça. Todos os que estavam do lado de fora da marcação conseguem enfim entrar e sair da pista, fechando assim, os portões de entrada. O que vemos em volta? Muita gente. Sentadas nas arquibancadas nas “paredes” da praça, nas janelas das casas e até do palácio da cidade. Tudo cheio, todos voltados a uma única coisa, a corrida, o Palio.

São 19h, começa um cortejo onde o prêmio do evento é apresentado ao publico. O Palio. Ele vem em uma espécie de carro de boi, mas guiado por cavalos. Rodam toda a circunferência da praça até o ponto onde vai ser hasteado visivelmente até o final da corrida.

Chegamos à apresentação das contradas participantes, e a entrada dos seus respectivos cavalos e cavaleiros. Elas são chamadas por ordem de entrada da posição que ficarão na largada. Praça em silêncio profundo. Há apenas a cada nome dito uma explosão de alegria de cada grupo das contradas que estão assistindo no meio da praça. Alguns balançam seus lenços característicos.

Muitas saídas e entradas dos cavalos em seus lugares, é isso mesmo, como não há uma divisão entre eles, normalmente os cavalos não se bicam e acabam brigando, fazendo com que todos saiam de seus lugares para retornarem até poderem dar o sinal da largada. Isso sem contar quando à a queima da largada, quando um cavalo força a corda que teoricamente os impediria de sair da marcação.

Soa um tiro, a corda vai ao chão, os cavalos começam a correr. Uma, duas, três voltas. Cavalos passam a frente, cavalos caem com seus cavaleiros, cavalos abandonam seus cavaleiros e seguem caminho. Ultra-passagens magníficas, e nós ali, no meio de tudo, rodando nossos olhares para acompanhar o inacreditável, o Palio estava acontecendo ali, bem em baixo de nossos olhos. Vencedora, Tartuca (tartaruga). Sim ela já tinha ganhado outra corrida fazia pouco tempo. A comemoração, a explosão de alegria foi mesmo assim, enorme.

Logo depois da corrida, vão todos para a Catedral da cidade, o Duomo, para a benção dos vencedores. E depois para a festa da contrada. Nesse dia a tal festa não foi tão imponente. É uma contrada pequena e não fazia muito tempo de quando era vencedora, teve festa mais para eles do que para os visitantes da cidade. Para mim não importou se o vinho que eles servirão não estava bom, nem tomei.

O que eu queria mesmo e realizei meu sonho foi presenciar toda essa manifestação cultural. Ver, sentir toda essa energia que emana durante todo o evento. Fui para isso e não para posteriores festas, até porque tínhamos que voltar, pegar a estrada para Viareggio, já que nosso hotel era lá. Não dava para sair tão tarde da cidade.

Após a corrida. Quando todos saíram da praça, fomos procurar um lugar para jantar. Ao menos lanchar. Caminhando para um local, passamos por outro onde na vitrine estava estampado “Porchetta 3 euros”. Pronto, estava aí nosso lanche. Um sanduiche de Porchetta. Nunca tinha comido. Compramos uma garrafa de água, outra de vinho e mais um sanduiche para cada um.

Saímos de lá e fomos ao Duomo, que nessa hora já estava fechado e com seus arredores vazios. Foi lá o lugar do nosso piquenique. M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O!! Lanche que quero repetir outras vezes. Depois fomos saborear um delicioso Gelato Italiano, é porque nossos sorvetes são completamente diferentes e menos saborosos do que os de lá. Enquanto aqui são à base de água, lá é o leite que toma conta.

Hora de ir embora. Casados, bem cansados, mas muito, muito felizes pegamos nosso rumo. Primeiro ponto, porta Tuffi, depois, decida. Ladeira a baixo a pé até chegarmos ao estacionamento. Não éramos os únicos, várias pessoas, grupos de família ou amigos faziam o mesmo percurso. Onde antes tinham muitas vagas estava agora repleto de carros esperando seus donos retornarem dos seus sonhos.

Já era noite, madrugada, o sono pesava. Mas ainda tínhamos estrada a percorrer. Cabeças balançavam, paramos em um posto de gasolina (Auto grill) e compramos um refrigerante para nos manter acordados até a chegada no hotel. Finalmente chegamos, e ao entrarmos no quarto, desmaiamos de tão cansados e extasiados.

Hoje só tenho uma coisa a dizer. Vai ser muito difícil assistir outro Palio de Siena. Ver pela TV aqui do Brasil vai despertar uma saudade tão grande, uma vontade de reviver tudo que não sei se vou aguentar. Vamos ver no próximo ano. Mas com certeza ainda reviverei esse sonho, essa alegria, essa magia única.

* Fotos do arquivo pessoal
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