Publicado por: Flavia Sbragia | 05/09/2010

No Festival de Puccini

Depois de chagar à Viareggio e conhecer um pouco da cidade fomos então à nossa primeira noite de ópera do Festival de Puccini. festival esse que acontece todos os anos. Tosca era a estrela do dia.

O teatro fica em Torre del Lago, cidade bem ao lado de Viareggio, é tão pertinho que comparando com as nossas cidades daqui, mais parece outro bairro e não cidade. Levávamos menos de 15 minutos para do hotel chegarmos ao teatro.

Teatro sim, mas não um simples teatro. Um teatro aberto, um semi anfiteatro construído ao lado de um grande lago. Sem paredes nem teto. Uma simples chuva acabaria com o evento. Intermináveis fileiras de cadeiras de plástico. A primeira vista não parece lá muito confortável, principalmente vendo as pessoas carregarem pequenas almofadas de plástico com o nome do festival. É, era mais um souvenir vendido na lojinha, que junto com o programa e mais camisetas, canetas e tudo mais de bugigangas que faziam a festa das pessoas que iam assistir o espetáculo. Mas a cadeira em si, não era a das mais desconfortáveis, não senti a necessidade de comprar a tal almofadinha.

Teatro aberto, um lago logo a nossa frente. Algo não parecia que ia dar certo. O vento. Frio. Morri de frio no primeiro dia. Verão mas à noite estava fazendo um fesquinho gostoso, e logo no teatro um frio que me fez “bater o queixo”. Logo percebi porque várias pessoas chegavam com casacos. Antes tinha pensando “Puxa, é verão, não está muito quente, mas não é o caso de casaco!!”. Para que eu fui pensar isso, sorte daqueles que foram prevenidos.

Nosso lugar na platéia era um dos melhores, bem ao centro. Nem tão perto nem tão longe do palco. Que por falar nele estava logo ali com um cenário incrível. Mas incrível mesmo eram os atores/cantores, que vozes!!! Como cantam. Sei que o teatro foi justamente feito para essa finalidade, apresentar as obras do mestre Puccini, mas quando o “gogó” era bom, não tinha como negar, que dom aquelas pessoas tem!!

E a orquestra? Que músicos!! Que sintonia!! Depois de 3 horas de espetáculo com direito a dois intervalos entre os atos, voltamos extasiados, mas também cansados ao hotel. Afinal tínhamos chegado à Toscana naquele mesmo dia.

No dia seguinte, nossa segunda e última noite de ópera. Durante todo o dia, uma chuva tremenda. Todas as previsões do tempo deram temporal, e não deu outra. Mas e agora? O teatro aberto, não tinha como improvisar um toldo. E a ópera? Evento cancelado? Não. Eles esperam por 1h e meia depois do que seria o inicio do espetáculo para assim abortar ou não a programação.

Mas a chuva que caiu o dia inteiro, que fez parte dos nossos passeios, no cair da tarde cessou. Na hora do espetáculo, nem parecia que tinha chovido. Com atraso mais do que justificável, começou a ópera. Madamma Buterfly. O mais do que justificável foi porque a organização secou cadeira por cadeira do teatro. Quando fomos para os nossos lugares eles nos deram mais um pedaço de papel absorvente para secarmos a cadeira caso precisasse. O que não foi o caso, elas já estavam sequinhas.

Dessa vez fomos prevenidos. Levamos nosso guarda-chuva e também casacos. Frio novamente nem pensar. O guarda-chuva nem abrimos, mas os casacos nunca foram tão bem vindos.

O cenário estava um pouco prejudicado. Eles nos avisaram e pediram desculpas pois por causa da chuva tiveram que fazer umas adaptações. Mas nada que ofuscasse toda a obra. Outros atores/cantores, músicos e igualmente talento.

O evento foi terminando quando na última cena a chuva resolveu voltar. Uma correria de músicos correndo com seus instrumentos da chuva que mais parecia fogo. Mas na realidade era realmente como se assim fosse, pois uma simples gota poderia prejudicar danificando todo o instrumental.

Tentaram voltar e terminar o espetáculo, mas não conseguiram, a chuva não parou. Triste sim, mas não decepcionada, afinal foi tudo lindo, um verdadeiro espetáculo. Voltamos ao hotel percebendo que essa foi a primeira vez que vimos uma apresentação de Madamma Buterfly onde no final a protagonista chega viva.

Sim, foram dois momentos igualmente incríveis. Para serem realmente guardados na mente e em nossos corações. O que é assistir duas obras primas do nosso mestre Puccini e justamente em seu templo?!! Sim, o teatro aberto foi construído justamente para ser o templo, a casa de suas obras. Onde todos pudessem apresentar, aprender, ver e desfrutar de toda a magia desse grande musico que morou por vários anos, até o final de sua vida, às margens daquele lago. Lago que foi testemunha do nascimento da maioria das grandes obras de seu mestre.

Veja um pouco mais sobre Torre del Lago vendo o vídeo postado no nosso Cantinho do Viajante clicando aqui

* Fotos 1 e 4 site http://www.puccinifestival.it
Fotos 2 e 3 arquivo pessoal
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