Publicado por: Flavia Sbragia | 06/06/2010

Ponte Vecchio

Hoje, saindo um pouco dos ares da Copa do Mundo, vamos falar sobre um ponto turístico muito conhecido, principalmente nos cartões postais vindos de Florença. A Ponte Vecchio, a Ponte Velha melhor dizendo em nosso português.

Localizada sob as águas do rio Arno, foi inicialmente construída em pedra e tábuas de madeira e possuía 5 arcos.Durante as cheias de 1333 sua estrutura não aguentou e acabou sendo destruída, somente em 1345 foi reconstruída, no entanto, dos 5 passaram a ser 3 arcos, sendo o maior deles com 30m de diâmetro. Sua estrutura atual.

Desde a sua construção, a ponte foi local de lojas. Uma época de pessoas de fora, outra de cidadãos da própria cidade. No entanto todo o tempo ela era local de açougues, peixarias e verdureiros. Cheirava mal. Não era um local agradável de se passear.

Somente no século 15 foi que por determinação de Cossimo de Medici, o Duque de Florença, esses açougues deram lugar à lojas de ourives, o que fez com que a ponte se tornasse um caminho mais limpo, elegante, e cobiçado.

Mas, porque O Duque de Florença quis mudar a situação da ponte? Melhoria na cidade? Não gente, não foi em benefício ao povo e sim um capricho dele para a sua família. Vamos ao por quê.

A família Medici tinha sua moradia oficial no Palazzo Vecchio, localizado na Piazza della Signoria, que fica a algumas dezenas de metros próximo à ponte. Enquanto que do outro lado, tinha a casa de veraneio e depois do nascimento dos filhos, a casa principal da Srª Médici e as crianças, o Palazzo Pitti.

Para uma melhor transição da família pela cidade, sem correr o risco de passar pelas multidões nas ruas, eles criaram um corredor que até hoje liga as duas residências. E o cheiro das lojas logo a baixo das janelas desse corredor não agradavam a família. Fazendo assim com que terminassem com elas e também seu cheiro para que pudessem passar pela passagem sem transtornos externos.

Uma curiosidade desse corredor é que Florença tinha uma outra família também muito influente, os Mannelli. Eles possuíam uma torre medieval, no extremo sul, bem em direção ao Palácio Pitti. No caminho do tal corredor dos Medici. No entanto eles não deram direito de passagem ao Duque, fazendo com que o corredor fosse desviado circundando a torre.

Mas essa não é a única curiosidade em torno dessa ponte e das coisas que a cercam. Uma delas é a proveniência da palavra “Bancarrota”. Diz-se que antigamente os mercadores tinham que mostrar suas mercadorias sobre bancas, e sempre com a autorização do Bargello, que era uma espécie de autoridade municipal da época. Quando um mercador não conseguia pagar as dividas, a mesa, chamada de banco era quebrada, em italiano “rotto”, pelos soldados. E essa prática era chamada de bancorotto. A qual fizemos uma modificação e a transformamos em bancarrota, que até hoje para nós significa falência.

Outra particularidade que a ponte ainda guarda, mas que hoje é combatida pela cidade, multas de 50 euros para quem for apanhado em flagrante, são os cadeados que ainda podemos encontrar ao longo do seu percurso. Eles são mais vistos, principalmente nas grades em torno do busto de Benvenuto Cellini, um grande ourives e escultor fiorentino. A prática está ligada à uma antiga idéia de que se dois amantes trancassem o cadeado e lançassem a sua chave no rio, nada os separaria.Graças à essa lenda milhares de turistas praticaram esse “ato de amor”, que ao mesmo tempo de juras de amor eterno faziam a estrutura da ponte se estragar. Agora eu pergunto, e se esses casais depois de tanto tempo se separaram? Seus cadeados ainda estão lá? Fazem o quê se resolverem ir com seu novo amor naquele mesmo local?

Do mesmo modo que acho que não terei essas respostas, eu também nunca saberei o porque enfeiar a ponte com ato tão vândalo. Tem tantas coisas mais românticas!!!!

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Responses

  1. Ooo lembranças boas eu tenho dessa cidade…
    Bjs e adorei ler e relembrar e saber ainda sobre.

    • QUe bom que gostou Dominique, é sempre gratificante saber que as pessoas também viajam junto quando lêem os posts. 🙂

  2. Pois é, Fla, também ainda não conseguir entender onde está o romantismo nessa história dos cadeados! rsrs
    Sabe que em Roma, onde começou essa história por causa do livro “3 metri sopra il cielo”, do Federico Moccia, um poste de iluminação chegou a cair no Tevere por causa do peso dos cadeados? rsrs
    Nesse livro, os personagens principais, Babi e Step, usaram o tal cadeado para selar seu amor e aí já viu, a moda pegou entre os jovens locais! rs

    • É, Roberta, legal que me lembrou do nome do filme, mas até agora fico pensando em porque justo da Ponte Vecchio que eles fizeram isso?? Tem tanta ponte!! Por mais que nada justifique depredar partrimônio artístico e cultural, ainda mais uma ponte que é conhecida mundialmente.


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