Publicado por: Flavia Sbragia | 22/05/2010

Toscana – Ver, sentir e amar

Queridos leitores nesse final de semana vocês lerão dois posts que são como cartas, emails trocados entre duas amigas. O de hoje foi a minha “carta” para a minha amiga Roberta Ristori do blog “Giro pela Toscana“. Ela a publicou em seu blog no dia 14 de maio. Veja em Toscana-Ver, sentir e amar. Amanhã será a minha vez de publicar de um texto dela. A sua resposta à minha provocação de sentimentos.

ToscanaVer, sentir e amar – por Flavia Sbragia

Querida Roberta,

Quero tentar te passar um pouco como sinto a Toscana. Isso mesmo, sentir. Porque a Toscana não é um lugar somente para descobrir, conhecer seus cantinhos e artes, e sim para sentir. Você pode e deve tirar todas as suas preocupações da cabeça, deixar levar-se em todo encantamento que a atmosfera da região te proporciona.

Ver aquelas casas feitas de pedras que quando são vistas de cima são uma alegre composição de vermelhos, devido à sua terra e que a cada estação do ano é um cenário diferente, mas não menos espetacular, e que elas foram feitas muito antes do nosso Brasil ter sido descoberto, é uma emoção incrível. Só passando por lá para sentir.

Na minha primeira vez na Toscana, bem na verdade, na maioria das vezes ainda acontece isso comigo, era como se eu não estivesse ali realmente. Como se fosse um sonho, sonhado várias vezes, em muitas histórias contadas por meu “nonno” (avô). Me lembro de estar em um certo lugar, na sua tão querida Siena e ainda não me dar conta do que estava acontecendo. Me sentia em outro lugar, em outra época, mas custava acreditar que era verdade.

É essa sensação que a Toscana me dá. Conheci muitas, não todas, de suas cidades. Em cada uma delas um encantamento ao mesmo tempo diferente e igual. Diferente pois cada cidade é uma e conta suas histórias em cada uma das suas pedrinhas que compõem cada uma de suas casas, mas igual devido à uma magia que engloba e diz o que é realmente a Toscana.

Não, não posso dizer que a região é apenas um conglomerado de cidadezinhas medievais espalhadas por vales e montanhas, nem tão pouco que suas histórias estão apenas contadas em seus belos museus. Não, a Toscana é muito mais do que isso. É um modo de vida, é um ser e estar diferente.

Quando estamos lá parece que o mundo que nos cerca não existe mais. Suas belezas, e olha que são muitas, nos envolvem e nos transportam à mundos inimagináveis. É um voltar no passado, nunca tendo estado lá. É sentir como se fizesse parte do lugar, como se tivesse vivido lá por toda a sua vida, desde o primeiro dia que se desembarca do avião.

É amiga, acho que a Toscana para mim, é como se fosse um alucinógeno, mas isso vendo como coisa boa. Por exemplo, na última vez em que estive em Firenze, passeando sozinha mesmo por aquelas ruazinhas tão pitorescas do centro histórico, parecia que eu já habitava aquela cidade há muito tempo. Sabia direitinho sem ter que ver qualquer mapa, pra onde eu deveria ir. Tudo ali me era familiar. Eu passei a ser Toscana não só por descendência, e sim por emoção.

A mesma coisa aconteceu quando fiz um curso em Siena de um mês. Tão grande é o acolhimento da região que quando a cidade se enchia um pouco mais de turistas bisbilhoteiros, me sentia no direito de reclamar e ficar chateada da cidade estar com mais gente, principalmente de fora.

Esquecia completamente que eu também era uma “forasteira”. A ficha caia logo depois, quando parava pra pensar que também vinha de fora e que os habitantes dali também deveriam estar incomodados com tanta gente andando nas pequenas ruas, atrapalhando o trânsito dos pedestres. Não, eles nunca reclamaram, isso quem pensava era eu mesma.

É louco pensar nessas coisas. Conheci os museus, passeei pelos lugares normais de qualquer turista. Mas descobri que muito além disso, a Toscana me adotou. Ou será que fui eu quem a adotei? Não sei ao certo. O fato é que eu sou dela e me sinto a vontade de dizer que ela é minha. Minha no sentido que mesmo sendo nascida e criada em pleno Rio de Janeiro e estando tão pouco, ao menos muito menos do que eu queria ter estado lá. Me sinto um pouco parte daquilo tudo. Sim, é meu lugar. É uma vida que alegremente viveria. E espero voltar.

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