Publicado por: Flavia Sbragia | 25/04/2010

Monteriggioni – Final

Continuação

No dia seguinte tomamos um belo café da manhã, ou melhor dizendo, já que estamos na Itália, fizemos “una bella Colazione” e logo saímos para passear por Siena, primeiro.

O tempo não estava firme, muitas nuvens no céu, choveu alguns minutos, o bastante com que nos fizesse comprar um guarda-chuva para apenas usá-lo mais uns poucos minutos. A chuva passou e o passeio continuou, agora de guarda-chuva fechado. O tempo passou, a fome bateu. Hora do almoço.

Depois de percorrer todas as contradas de Siena, os bairros, melhor dizendo em nosso bom portugues, fomos em busca daquele lugar encantado. Será que iriamos encontrar aquela estradinha novamente? Nossa esperança estava presente. Era final de tarde.

Pegamos a mesma estrada principal do dia anterior e fomos procurando aquela que nos levava àquele lugar misterioso. Achamos uma que parecia ser a certa, mas não sabíamos se realmente a era, pois só a conheciamos às escuras, em dia ainda claro era completamente diferente. Muitas árvores, uma vista muito bonita para um campo aberto. Estávamos subindo.

Enfim chegamos ao estacionamento já conhecido anteriormente. Agora dava para ver que o que era um breu no dia anterior, o que parecia um nada onde a cidade flutuava, era na verdade mais uma elevação e nela havia uma escadaria que terminava em um grande portão medieval.

Subimos. Passamos pelo tal portão. O que encontramos? O que tinha dentro daquela muralha? Não sei se sonho, mágica, algum tipo de encanto. A cidade em si é minima, em aproximadamente meia hora, isso mesmo 30 minutos, você a conhece por inteiro. Mas saiba que esses 30 minutos serão uma eternidade. Você será transportado para uma outra época. Muito além da história. O que parece pequeno é um mundaréu.

Tudo e de tudo cabe lá dentro. Cabem todas as batalhas, todos os romances, todas as angustias e alegrias de uma época remota. Que lemos nos livros. Que estudamos nas escolas. Que sabemos plenamente que existiu, mas não a presenciamos nem conhecemos alguém a a tenha feito.

Naquele dia não vimos pessoas por alí por dentro, parecia uma cidade fantasma.Tinham apenas algumas pessoas do lado de fora da muralha. Talvés cenário de filme? Será que estávamos em alguma cidade fictícia do Projac da rede Globo? Não, se assim fosse ela não teria toda uma aura especial.

Vimos umas duas lojinhas pitorescas que vendiam produtos locais. Em uma delas, uma armadura nos fazia ainda mais estar em outra época. Na outra, tinhamos a certeza cada vez maior de que aquele lugar já tinha sido palco de grandes disputas de terras e amores, o nome era “Fattoria Castello di Monteriggioni”. Nossa! Estávamos realmente vivendo uma época diferente, estranha até.

Dizem que na primavera os habitantes, privilegiados, daquele lugar enfeitam a cidade com muitas flores, fica tudo muito colorido e alegre. Mas o nosso inverno por lá não foi menor por não ter tido todo esse colorido. Penso até que foi uma época que nos fez transportar ainda mais para os filmes que adoro ver. Os épicos. Os que nos remetem à uma história antiga e muitas vezes até verdadeira.

Cada pedra daquele lugar é testemunha de tudo o que passou, de várias épocas e mesmo agora que estamos no “futuro” daquele que um dia foi o presente e é hoje nosso passado elas ainda nos contam, em sussurros em nossa alma, que um dia aquele palco de tantos acontecimentos ainda está alí para nos mostrar, nos contar um pouco sobre ela e tudo o mais.

Monteriggioni é assim, um lugar mágico que só indo lá para perceber todas essas coisas. Só deixando a cidade te encontrar para você se encontrar. Viver algo incrível que nunca pensou em viver, muito menos onde menos imagina. Em uma cidade que a uma primeira vista pode-se perguntar o quê ela tem de tão especial já que não há grandes atrações, digo as mais comuns das cidades, como museus, lojas, obras de arte, essas coisas.

Monteriggioni não precisa de nada disso. Ela é por si mesma o museu, a obra de arte, um mundo encantado. A nossa Neverland. Ela é o sonho vivido plenamente. Espero que ela ainda queira me encontrar, porque eu sinceramente ainda quero poder revê-la. Sentir todo o seu encanto. Vivê-la.

E transmito essa minha vontade a todos. Que um dia ela queira ser descoberta por cada um de vocês. Que vocês presenciem algo impresenciável, o mais mágico que possa ser pensado. Não busquem Monteriggini, deixem que ela busque vocês.

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