Publicado por: Flavia Sbragia | 27/03/2010

Os Luccheses e as migrações

Estamos no último final de semana de março, então época do Especial sobre Lucca.

Em fevereiro vimos um pouco de história e geografia hoje falaremos sobre os Luccheses. Sim o povo de Lucca, de uma época mais distante, antiga, mas que perdura até hoje o mesmo sentimento de união.

Como Lucca está localizada em uma região rica em colinas e montanhas, seus habitantes tinham muita dificuldade em cultivar a terra. Até mesmo nas suas áreas mais planas, era complicado, pois grande parte era pantanosa e sujeita a inundações. Então eles só conseguiam plantar o básico para a sobrevivência alimentar da família e muito pouco para o comércio.

Sendo assim, os Luccheses se sentiram na obrigatoriedade de arrumar um outro modo de sustentar suas famílias. Foi aí que surgiram as migrações que eram feitas em sua maioria pelos chefes de família ou pelos seus filhos mais velho. Mas são migrações muito peculiares. Vamos ver alguns de seus tipos:

Durante a Idade Média, os Luccheses já eram conhecidos pela sua capacidade e competência em relação aos negócios. Como comerciantes e financiadores eles percorriam todos os mercados da Europa e do Oriente Médio.

Obtendo lucro em seus negócios, eles enviavam o dinheiro para sua cidade natal, Lucca, onde ainda permanecia toda a sua família. Assim os que ainda estavam em casa conseguiam abrir negócios próprios sem sair da sua terra, fazendo com que mais tarde o seu provedor que estava pelo mundo voltasse. Com isso Lucca e sua moeda, o Lucencis, já eram reconhecidos em todo o comércio.

Mas o inicio na emigração foi marcado pela união das indústrias da Lã e da seda, que com seus manufaturados enviaram ao mundo especialistas nas artes de ourives, desenhistas, operários e Bate-folhas (operário que reduz à folha o ouro e a prata). Esses trabalhadores seguiam nobres, pessoas de governo, e também mercantis, levando apenas consigo o necessário para o seu trabalho.

Estabelecendo-se nas principais cidades européias, eles acabavam formando o que depois foi chamado de “Nationes Lucenses”. Eram comunidades de Luccheses que estavam foram de sua terra. Sempre construídas em torno de uma igreja dedicada ao Volto Santo, tinha toda a sua infraestrutura feita e administrada por Luccheses. Eram o ponto de referencia aos que chegavam e também seu ponto de união. Uma “Lucca” fora de Lucca.

Outras migrações, não tão importantes economicamente quanto a dos comerciantes foram a Confecional, iniciada por volta de 1500 e que durou mais de 100 anos, foi quando vários Luccheses se converteram ao Calvinismo enquanto que o governo Lucchese estava nas mãos das famílias católicas que não queriam e expatriaram essas pessoas, mas como seus bens ficavam com a família ainda em Lucca eles acabavam abrindo filiais de seu trabalho em outras cidades mundo afora e contribuindo com o seu desenvolvimento cultural, financeiro e econômico.

A Sazonal começou por volta de 600. Sem o apoio do governo e sem recursos a sua disposição, uma parte da população viajava durante o outono e inverno para onde tinha trabalho, como Córsega, França, Algérea e Tunisia. Nos outros meses do ano, voltavam a Lucca e trabalhavam em suas terras.

E junto com a sazonal, outro tipo de migração também foi comum e também muito criticada, e chamamos que foi a das amas de leite. Muitas mulheres resolveram seguir seus maridos e os mais nobres solicitavam a essas mulheres que amamentassem seus filhos em troca de salários bem melhores do que os maridos delas estavam conseguindo. Essa migração foi duramente criticada pois as mulheres tinham que deixar seus filhos em casa para amamentar desconhecidos.

Entre 1600 e 1700 foram as migrações dos escultores. Escultores saiam em busca de quem queria comprar sua arte em gesso.

Durante a unificação italiana, também houve um grande número de pessoas que resolveram sair do então país que estava surgindo. Como muitas províncias eram pobres financeiramente e também foram rivais entre si por um longo período. De uma hora para outra os Luccheses tiveram que unificar suas glórias com os que não as tinham. Isso fez com que vários Luccheses saíssem a procura de melhores condições pelo mundo.

Durante as Grandes Guerras não tiveram migrações significativas. Já imbuídos pelo espírito de união, os Luccheses preferiram lutar pela então já considerada pátria.

E a ultima emigração foi a que aconteceu por volta do final da Segunda Grande Guerra até os anos 70. Onde não só os luccheses, mas os italianos em geral, saíram de sua terra para trabalhar com seus familiares que já tinham estabelecido ponto fixo em outros países.

Mesmo com todas essas idas, os Luccheses sempre voltaram, sempre mantiveram o espírito chamado de “Lucchesità”, que nada mais é o amor e orgulho pela sua terra natal que até hoje é passado aos seus descendentes.

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