Publicado por: Flavia Sbragia | 01/07/2018

Sant’Anna, em busca da verdade

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Foto de Flavia Sbragia tirada no Museu de Sant’Anna

Por cinquenta anos o massacre de Sant’Anna ficou sem resposta. Apenas em outubro de 1944 uma comissão militar americana realizou as primeiras investigações sobre o acontecido. Recolheram alguns testemunhos, mas não encontraram nenhuma pista sobre os responsáveis.

Em 1947 uma outra comissão, agora liderada pela British Investigation Force conseguiu reunir, através de declaração de sobreviventes e testemunhas, alguns elementos que identificam os responsáveis, mas até 1994 não foi possível chegar a uma verdade definitiva sobre o crime ocorrido em Sant’Anna.

Em fevereiro de 1947 protestos acalorados surgiram por toda a Versilia com acusações contra o general Kesselring de ter participado do massacre de Stazzema, e também contra Maz Simon, comandande da XVI Divisão SS. Ambos envolvidos em outros crimes Nazi-fascistas.

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Foto de Flavia Sbragia tirada no Museu de Sant’Anna

Naquele ano descobriram, em Roma, um armário que posteriormente foi apelidado de “Armadio della Vergogna”. Ele estava em um porão no Palazzo Cesi, um prédio do século XVI na via degli Acquasparta, sede do Procurador Geral Militar , trancado com as portas viradas para a parede. Nele encontraram 695 arquivos relativos aos massacres Nazis-Fascista  e 415 nomes de culpados, e entre eles documentos que citavam Sant’Anna.

Graças às ações realizadas pelo Comitê para a Verdade e a Justiça, criando em Stazzema em setembro de 2000, a Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados , em 6 de março de 2001 concluiu o trabalho de investigação e averiguação dos 695 arquivos ocultos.

Nomes das vitimas, nomes dos assassinos, locais dos crimes, tudo foi anotado nesses arquivos e escondidos por 50 anos. Uma investigação para cada arquivo, um processo para cada investigação preliminar foi feita, e aos poucos cada um dos culpados foi acusado e condenado pelos seus crimes.

Em Julho de 2005 o Tribunal Militar de La Spezia emitiu a sentença com a qual condenava à prisão perpetua os dez réus da SS  (Schutzstaffel), o exercito nazista, culpados pelo massacre

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Foto de Flavia Sbragia tirada no Museu de Sant’Anna

A sentença foi confirmada pelo Tribunal de Recurso Militar de Roma em 21 de Novembro de 2006 e definitivamente ratificada pela primeira Secção Penal do Tribunal de Cassação em 8 de Novembro de 2007

Mas ainda hoje há muitas questões deixadas abertas, como feridas profundas em toda a nação: Quem deu a ordem de ocultação? Quem assumiu essa responsabilidade dramatica?…

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Publicado por: Flavia Sbragia | 31/03/2018

Per non dimenticare

Per non dimenticare, para não esquecer para que possamos lutar para que não volte a acontecer onde for. Neste post iremos começar a falar sobre a barbárie que aconteceu no pequeno vilarejo de Sant’Anna di Stazzema. Um dos crimes mais atrozes cometidos contra civis.

Muitos não conhecem o lugar, e muito menos sua História. Ouvimos sobre a Segunda Guerra, Nazismo e Fascismo, bombas, extermínios. Vários outros lugares e povos, com histórias completamente devastadoras, mas e Sant’Anna? Onde e porquê ela está no meio de tudo isso? Quem fala sobre ela? O que realmente aconteceu por lá?

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Foto do site oficial de Sant’Anna di Stazzema

Segunda Guerra Mundial, 1 de agosto de 1944. Sant’Anna di Stazzema foi qualificada pelo comando alemão como “Zona Branca”, ou seja, lugar adequado às pessoas que não estavam aptas a combaterem na guerra, como crianças, mulheres, idosos, doentes, etc. Por causa disso, várias famílias foram abrigar-se naquela localidade. Outra situação aparentemente favorável era que as cidades ao seu entorno já estavam há vários dias sem realizar operações militares.

No entanto, na madrugada de 12 de agosto de 1944 três tropas da SS (Schutzstaffel), o exercito nazista, subiram a Sant’Anna pelas cidades de Vallechia – Solaio, Ryosina, Mulina di Stazzema, enquanto uma quarta fechava todas as vias de evacuação para o vale, acima da Vila de Valdicastello.

Essa invasão apenas conseguiu ser feita pois os nazistas tiveram a colaboração de fascistas moradores da região no entorno de Sant’Anna. Isso porque o acesso ao borgo era muito difícil. Para chegar lá era preciso passar pelas antigas trilhas de mulas de Valdicastello (Pietrasanta) e pelo lado de Stazzema era preciso uma marcha longa, dificil e cansativa com ao menos duas horas de duração. Foi por essa característica que fez com que milhares de pessoas se deslocassem para o local no verão de 1944, para alcançar esses lugares praticamente inacessíveis.

Às 7 horas da manhã o borgo já estava cercado. Homens da aldeia correram para a floresta tentando refugio na floresta para evitar serem deportados, enquanto que mulheres, crianças e idosos, confiantes de que nada iria acontecer com eles como civis, permaneceram em suas casas.

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Foto do site oficial de Sant’Anna di Stazzema

Em pouco mais de 3 horas 560 inocentes foram brutalmente mortos. Enquanto algumas pessoas foram atacadas por metralhadoras e granadas em suas casas, outras foram brutalmente arrancadas dos seus lares e colocadas na praça, na porta da igreja da cidade formando um grande aglomerado em um espaço de não mais que vinte metros de comprimento, onde foram metralhadas à queima roupa. Tão perto que os soldados podiam ver o horror nos olhos das pessoas. Após o fuzilamento, amontoaram os corpos, alguns até ainda poderiam ter vida, nos bancos da pequena igreja, a fecharam e fizeram uma especie de forno, utilizando os colchões das casas, queimando todos por ali. Insatisfeitos com a consumação dos corpos, ainda empurraram homens e mulheres ainda vivos, que sem reação ao vivenciar tudo aquilo, entraram no braseiro.

Os cadáveres na praça da Igreja eram 132, incluindo 32 crianças. Outros 8 corpos estavam atras do campanário, aparentemente, eram das pessoas que os nazistas capturaram para ajudar a levar a munição.

Todas as casas foram incendiadas. Casas e toda a vida que ainda tinha por lá. Pessoas, animais, tudo. Ao retornarem para as terras baixas, também foram deixando rastros de destruição incendiando tudo e todos que encontravam pelo caminho. Pessoas escondidas em buracos nas pedras foram queimadas por lança- chamas. Uma mulher que corria em desespero com seu bebê nos braços foi capturada.Tiraram a criança de seus braços jogando -a no chão e fizeram a mãe atirar contra seu bem mais precioso matando – o a queima roupa. Esses foram um dos vários episódios acontecidos na ocasião.

Poucos conseguiram fugir. E essa minoria foi a que alertou as cidades vizinhas. Aterrorizados mal conseguiam falar, e as pessoas atônitas entendiam que algo terrível tinha acabado de acontecer , mas não conseguiram imaginar as proporções.

No inicio da tarde os homens que retornavam de seus abrigos e outros poucos sobreviventes retornaram à aldeia. Resgataram os feridos, transportando-os para o hospital do campo de Valdicastello e enterraram os restos, muitos carbonizados, dos cadáveres em túmulos escavados nos jardins.

“A cena mais consternada foi a da praça da igreja: uma massa de cadáveres no centro, com a carne ainda quase frita; de um lado, o corpo de uma criança de cerca de três anos, consumido pelo fogo, com os braços rigidos e levantados como se pedissem ajuda, …, a igreja com o a porta bem aberta, mostrou um grande braseiro dentro, feito com bancos e móveis, e no ar o fedor da carne assada que elevava quase a respiração e se espalhava por todo o vale.” Lembra Don Giuseppe Evangelisti

O enterro desses corpos foi feito no dia 14. Cerca de 30 voluntários vieram de Culla. Era um trabalho bastante difícil e arriscado, especialmente por causa das grandes nuvens de moscas, cujas picadas poderiam ter causado infecções mortais. Não tinham máscaras, não possuiam desinfetantes. Apenas uma pequena garrafa de álcool e um pouco de algodão para cobrir os narizes.

 

Continua…

Publicado por: Flavia Sbragia | 08/02/2018

Sant’Anna di Stazzema

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foto Flavia Sbragia

Sant’Anna ou San’Anna di Stazzema é uma pequena vila da cidade de Stazzema, localizada na província de Lucca à uma altitude de 610 metros a cima do nível do mar aos pés dos Alpes Apuanes.

Distante 12 km de Pietrasanta e 16 da Marina, no Mar Mediterrâneo ; 18 km de Viareggio , 24 de Massa e 37 de Carrara . A estação de trem mais próxima é a de Pietrasanta na linha Pisa-Gênova e a saída da auto-estrada mais próxima é “Viareggio- Camaiore ” na A12 .

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foto Flavia Sbragia

Hoje com apenas em torno de 27 habitantes, a vila já foi habitada por mais de 1500 pessoas. Mas isso antes do massacre que ocorreu em agosto de 1944 durante a Segunda Guerra Mundial onde em torno de 560 aldeães foram mortos. Mas essa trágica História ficará para os próximos posts.

Com o acesso ainda hoje difícil, não há tantas orientações, como placas, para chegar lá. A estrada que nos leva ao pequeno borgo é estreita, dois carros passam com dificuldade em alguns pontos, sinuosa, com muitas curvas dos vales, e muito bonita. Você entra pela natureza e em alguns pontos vê as cidades de baixo ficando para trás e consequentemente para baixo.

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foto Flavia Sbragia

Quando entramos na vila vemos algumas poucas casas, uma pequena praça principal onde está localizada a igreja do local, palco de toda a tragédia, o museu “Histórico da Resistência” contando a historia da cidade, algumas esculturas que remetem ao passado, uma estátua da padroeira do local, que dá nome à vila, Sant’Anna, e um caminho que nos leva a um lugar mais alto, de onde podemos ver todo o litoral Versiliense, o chamado Col di Cava, lugar escolhido para abrigar o monumento em homenagem às vitimas do massacre.

Hoje a pequena Sant’Anna se confunde ao Parque Nacional da Paz, o terceiro do mundo, os outros estão em Hiroshima e Nagasaki. Nele podemos conhecer e aprender mais sobre tudo o que passou ali. Com seus arquivos Históricos, relatos de testemunhas e antigos moradores do local. Um lugar muito pequeno com uma história muito grande e dolorosa.

Para chegar a Sant’Anna di Stazzema vá em direção à Versilia saída da auto-estrada A12; direção Pietrasanta- Capezzano Pianore; de Pietrasanta pegue a estrada provincial Sarzanês na direção de Camaiore; Depois de dois km, vire à esquerda na rótula de S. Anna – Monteggiori – La Cradle.

Contatos:

Parque Nacional da Paz
Museu Histórico da Resistência
Via Coletti, 22 – 55041 Sant’Anna di Stazzema (Lu)
tel. +39 0584.772025
santannamuseo@comune.stazzema.lu.it
http://www.santannadistazzema.org
www.facebook.com/SantAnnadiStazzema

 

Publicado por: Flavia Sbragia | 31/01/2018

As cores pela Paz

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Sant’ Anna di Stazzema por Flavia Sbragia

Muitos conhecem inúmeras historias da segunda guerra mundial. O império Nazista, as atrocidades em Hiroshima, Nagasaki e vários outros lugares incluindo campos de concentração. Mas e Sant’Anna di Stazzema?

Quantos de nós já ouvimos esse nome? Quantos de nós sabemos a sua história? Pois é, em plena Toscana, lugar de tanta magia, lindos lugares e tantos amores, temos uma história triste para contar.

Resolvi apresentar a vocês um lugarejo lindo. Que do alto da colina ao mesmo tempo que possui uma vista incrível da Vesilia, possui também uma das histórias mais trágicas, mais vergonhosas, mais covardes de toda a Itália.

Per non dimenticare (para não esquecer). Não esquecer para que não volte a acontecer. Apresentarei a vocês a vila, sua História, passado e presente, e também como foi minha visita a este lugar. Mas não será possível tudo de uma só vez. Então começarei, nesta publicação, a contar como Sant’Anna apareceu em minha vida.

Espero que me acompanhem nestes dias. Que gostem de conhecer mais uma cidade Toscana e sua História, e sim, mais um lugar que vale a pena conhecer.

Era uma noite de sexta feira em fevereiro de 2016, pré carnaval, a cidade do Rio de Janeiro já a toda com seus blocos na rua, escolas ainda em férias, quando recebi uma mensagem pelo meu messenger, mas em uma das minhas páginas que nada tem haver com Itália e Toscana, apenas meu nome, de um senhor chamado Antonio. Italiano e presidente de uma associação (Associazione I Colori per la Pace), chegou a mim através de contatos em comum com a Associazione Lucchesi nel Mondo, ALNM

Ele estava no Rio de Janeiro e no domingo seguinte marcamos um café para que me explicasse o porquê de ter entrado em contato pedindo apoio da ALNM do RJ. E foi nesse dia que Sant’Anna di Stazzema entrou em minha vida.

Ano das Olimpíadas no Rio de Janeiro. E junto com ela o desejo pela paz mundial. Não é isso que os jogos representam? Não é durante o seu período que há uma suposta trégua entre os países em conflito? Se há realmente não posso afirmar, mas esse sempre foi uma das maiores mensagens dos jogos Olímpicos. Paz. E foi por ela que conheci a cidade que me marcaria para sempre.

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Centro da cidade do Rio de Janeiro

O objetivo do nosso encontro foi uma exposição de desenhos feitos por crianças de várias partes do mundo. Todas elas pedindo por PAZ. Alguns desses desenhos bem fortes, feitos por crianças que moram em zonas de conflito, que não sabem se estarão vivas no minuto seguinte. Antonio me apresentou a associação, o projeto e com eles Sant’Anna di Stazzema com toda a sua historia de dor, de clamor pela Paz.

Aceitamos o desafio, alguns meses depois chegaram os desenhos, algumas escolas do Rio participaram nos enviando desenhos de seus alunos.

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Rocinha

A exposição foi apresentada durante as Olimpíadas ao mesmo tempo em Stazzema. Aqui no Rio de Janeiro, os desenhos foram expostos no centro da cidade, na Rocinha e também em Niterói. Fiquei responsável pelos desenhos, virem e irem para a Italia, arrumar a mostra, desde a apresentação em grandes cartazes quanto arruma-los de uma melhor forma para a exposição, principalmente na do centro da cidade.

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Niterói

Entrei de cabeça no projeto, coloquei literalmente a mão na massa, cola, desenhos, papeis…. Era Sant’Anna chegando de mansinho. Infelizmente não consegui a divulgação que o evento merecia nos meios midiáticos. Mas me orgulho de ter participado e mostrado um pouco desse projeto tão bonito que é gritar ao mundo o pedido de paz de suas crianças por meio de seus lindos, sinceros e puros desenhos.

Eu antes desse encontro, dessa reunião, não conhecia esse lugar. Tenho sim um blog sobre a Toscana, mas ainda não a conheço toda. Já passei por várias de suas cidades, mas ainda há muito o que conhecer. Na verdade sempre temos o que conhecer. Cada momento é único, mesmo que você já tenha ido ao mesmo lugar várias vezes.

Entre pinceladas por vezes muito escuras e por vezes bem coloridas, rabiscos precisos e dores presentes encontrei crianças fortes. Aquelas que deveriam apenas se preocupar em brincar, imaginar e viver, sabem muito mais do terror, da morte e do que querem realmente para a vida delas, a paz. As cores pela paz.

Publicado por: Flavia Sbragia | 30/01/2018

Em fim meu retorno

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Vista de San Gimignano, por Flavia Sbragia

Olá queridos viajantes,

já faz bastante tempo que não publico algo, mas agora irei voltar com força total. Energias renovadas, emoções afloradas e uma saudade imensa em passar para vocês tudo o que sinto, vejo e aprendo sobre as lindas cidades e paisagens toscanas.

Há pouco revisitei alguns lugares favoritos, conheci outros… bem, vou tentar passar pra vocês tudo o que vivi em 2 semanas de pura alegria e emoção.

Só para terem um gostinho de novidade nas próximas publicações falarei sobre um lindo e muito triste lugarejo, Sant’Anna di Sazzema. Contarei sua história e tudo o que senti quando estive lá. Collodi., como é o Parque do Pinocchio e como foi passar o dia de natal almoçando no delicioso restaurante ” Osteria del Gabero Rosso”, minha quase entrada na Abadia di San Galgano, novas visitas, com novas descobertas, à Versilia, Siena, Monteriggioni, Lucca, Pisa e San Gimignano, minha experiencia em Firenze no ano novo e sobre a Via Francigena.

E ainda…

  • Dicas de restaurantes
  • Dicas de hoteis
  • Dicas de passeios
  • e muito mais

 

Vamos nessa?!!!!

Publicado por: Flavia Sbragia | 01/11/2016

Surrealismo de Salvador Dalí chega a Pietrasanta

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foto intoscana.it

 

Quem for passar uma temporada pela Versilia entre novembro e fevereiro de 2017 pode aproveitar e dar uma paradinha em Pietrasanta para conhecer e aproveitar a maravilha que estará exposta por lá nesse período.

A cidade que por séculos se dedicou à escultura e arte receberá de  12 de novembro até 05 de fevereiro esculturas do artista espanhol Salvador Dalì, que serão exibidas na Piazza Duomo e igreja e claustro de St. Augustine.

A exposição ” Entre o sonho e a realidade” leva à cidade uma seleção de esculturas de bronze famosas e místicas com as quais Dali reviu o temas da sua pintura como o mastodôntico rinoceronte cósmico (‘Rhinoceros Cosmique’) de quatro metros, ‘Woman Aflame’ de 3 metros e 40, ‘Space Venus’ (3,50 metros), ‘Surrealistic Piano’ (4,88 metros) e outras pequenas e médias obras, como o famoso relógio derretido ‘Dance of Time I’ e a ‘Femme Giraffe’.

Uma oportunidade de ver figuras, símbolos e fobias do artista que percorrem toda a produção interminável que Dalí aplicou no curso de sua vida em todas as áreas de artes visuais. Também em exibição haverá parte de uma coleção exclusiva de cristais feitos pela casa Daum. A exposição terá entrada entrada livre e é promovido pela cidade de Pietrasanta e Fundação Versilia, como parte do projeto de promoção “S.T.Art – Grandes Eventos “.

Publicado por: Flavia Sbragia | 19/10/2013

Dez “pérolas” toscanas

Neste final de semana ficaremos com um texto de Simona Bellocci publicado no site oficial de turismo da Toscana o Turismo In Toscana. Texto original aqui.

Monumentos, tradições e cultura: tudo
o que você não pode deixar de visitar

Palazzo Vecchio a Firenze

de Simona Bellocci

À descoberta de um riquíssimo patrimônio artístico. Onde ir e o que visitar: monumentos e obras de arte de incomparável beleza.

Arezzo

Na zona oriental da Toscana, Arezzo tem origens antiquíssimas e foi uma das principais cidades etruscas. Durante o período Romano teve importância estratégica e foi o símbolo da expansão em direção ao norte. A luminosa cidade que surge sobre uma colina, conserva numerosas testemunhas do seu glorioso passado. Em sua parte alta – de aspecto claramente medieval – emergem a bela catedral de San Donato em estilo gótico, o Palazzo Comunale, a Fortezza (fortaleza) Medicea e a famosa praça Vasari, mais conhecida como “Piazza Grande”, imortalizada no filme “A vida é bela”, de Roberto Benigni. Já a parte baixa da cidade segue um estilo mais moderno e animado.Florença
É o berço do Renascimento e conserva um excepcional patrimônio artístico. Em Florença viveram gênios como Cimabue, Giotto, Brunelleschi, Donatello, Masaccio, Della Robbia, Filippo Lippi, Botticelli, Leonardo Michelangelo e Dante Alighieri, apenas para citar alguns nomes. Importantes museus conservam as obras de arte desses e de outros mestres. Uma visita à cidade deve incluir a Galleria degli Uffizi, um dos mais renomados museus do mundo e a Galleria dell’Accademia, que abriga, entre outras obras de grande importância, o famoso David de Michelangelo. Os amantes das artes e da cultura, certamente apreciarão também o Bargello, com numerosas esculturas do Renascimento, o Museu de San Marco, com as obras de Fra’ Angelico, as Capelas Mediceas, a Casa Buonarotti, com obras de Michelangelo e os esplendidos museus Horne, Sttibert, Bardini, Romano, Corsini e Galleria de Arte Moderna. Uma simples caminhada pelo centro histórico dessa fabulosa cidade é suficiente para contemplar muitos monumentos como a impressionante Catedral de Santa Maria del Fiore, o Battistero, a Piazza della Signoria, a Ponte Vecchio e os palácios Pitti, Medici-Ricardi, Davanzati e Strozzi.

Grosseto

A graciosa Grosseto remonta à Alta Idade Media e pertenceu à Siena por muitos anos. Situada a poucos quilômetros do mar, é capital e mercado da Maremma, região agrícola por excelência. É uma das poucas cidades, assim como Lucca, a conservar intacta as muralhas que circundam todo o centro histórico. Muito bonita a catedral de San Martino, do final de 1200, o museu arqueológico e a igreja de San Francesco. Nos arredores, merecem uma visita o Parque Natural da Maremma e as ruínas etruscas de Roselle.Livorno
Cidade ideal do Renascimento italiano, Livorno revela sua historia nos bairros sulcados por canais e muralhas fortificadas, no labirinto de ruas que forma o famoso “quartiere Venezia”, no porto Mediceo, dominado por torres e fortalezas. Projetada pelo arquiteto Bernardo Buontalenti no final de 1500, a cidade passou por uma forte expansão urbanística no final de 1600. A Fortezza Vecchia, um grande complexo construído para proteger o porto, a Fortezza Nuova, as muralhas e os canais navegáveis em pequenos barcos, são todas atrações muito interessantes. Existe também uma outra Livorno que cresceu entre 1700 e 1800 e que se revela nos edifícios em estilo neoclássico, nos parques no centro da cidade, nas vilas em estilo liberty com vista para o mar e no imponente mercado delle Vetovaglie. Já em 1900 surgiu um dos cartões-postais da cidade, um dos locais mais sugestivos, a Terrazza Mascagni, um cenográfico terraço panorâmico sobre o mar. Livorno é uma terra de pintores e músicos: Amedeo Modigliani, Giovanni Fattori, a escola e pintura dos Macchiaioli e Pietro Mascagni, nasceram todos aqui e marcaram a historia da arte mundial com suas obras.

Lucca

A pequena e elegante Lucca foi a única cidade-estado da Toscana a conservar a própria independência ate o final de 1847. Símbolo máximo da defesa da liberdade, as imponentes muralhas permanecem intactas ate hoje. São 4.250 quilômetros, dez bastiões e uma largura equivalente a uma larga avenida. Atualmente, constituem um grande parque urbano, arborizado e equipado com fontes de águas potáveis, bancos, mesas de piquenique e brinquedos para as crianças. No tecido medieval da cidade murada emergem monumentos de arte e historia de diversos períodos, como o Anfiteatro Romano, a basílica de San Frediano, a igreja de San Michele, a catedral de San Martino com o Volto Santo, as torres Guinigi e delle Ore, a rua Fillungo, o Palazzo Ducale na Piazza Napoleone.

Massa-Carrara
Carrara, o maior e mais importante centro mundial de escavação, processamento e comercio de mármore, surge aos pés dos Alpes Apeninos em um vale verdejante. Seu nome deriva do prefixo “kar” (pedra) e testemunha sua antiquíssima origem. Devido à sua posição estratégica e às suas riquezas econômicas como o precioso mármore, foi alvo de constantes disputas. Durante a Idade Media foi dominada por bizantinos e lombardos.

Pisa
Famosa em todo o mundo pela sua torre, extraordinário monumento situado na “Piazza dei Miracoli” (praça dos Milagres), a historia de Pisa é milenar e teve seu maior esplendor na época das Republicas Marítimas. É um baú de tesouros artísticos com igrejas em estilo românico e gótico, praças e palácios que exaltam o desenho das avenidas que costeiam o rio Arno (lungarni) e das antigas ruas. Quem visita a cidades encontra não apenas arte, cultura e historia, como também ambientes naturais como o Parque Migliarino-San Rossore, o litoral e o Monte Pisano.

Pistoia
Situada aos pés dos Apeninos, conta com um ótimo “mix turístico” de historia, arte, folclore, monumentos, gastronomia e belezas naturais. Entre os famosos centros da Toscana, Pistoia apresenta elementos característicos originais que tornam indispensável uma visita.

Prato
Prato oferece um itinerário histórico artístico de grande prestigio. No centro, o Castello dell’Imperatore (castelo do imperador), é o único testemunho de arquitetura suábia na Itália centro setentrional. O Duomo (catedral), o Palazzo Pretorio, a basílica de S. Maria delle Carceti e as igrejas de S. Francesco e S. Domenico abrigam obras de arte de grandes mestres como Donatello, Filippo e Filippino Lippi e outros importantes artistas do Renascimento.

Siena

Siena é a qualidade de vida transformada em cidade. Foi a primeira cidade europeia a fechar o próprio centro histórico ao trafego de veículos já em 1966. Lugar internacional de cultura que conta com uma universidade com mais de 750 anos e hospeda instituições de prestigio como a Accademia Musicale Chigiana, a Università per Stranieri e a Accademia dei Fisiocritici. Na cidade onde cada pedra mantém-se imutável ao longo dos séculos, respira-se uma atmosfera única ao mundo porque seu povo conserva vivas as antigas tradições, como àquelas relacionadas ao Palio, renovando-lhes a cada ano com força e entusiasmo.

Publicado por: Flavia Sbragia | 13/10/2013

As Belezas naturais de Capraia

Capraia Parque…. continuação da publicação anterior

A Ilha de Capraia faz parte do “Parco Nazionale dell’Arcipelago Toscano”, que compreende uma área de dezoito mil hectares de terra e sessenta mil hectares de área marinha no Mediterrâneo. O arquipélago é composto pelas ilhas Elba, Pianosa, Capraia, Montecristo, Giglio, Gorgona e Giannutri.

Uma área de beleza indiscutível, água pura e cristalina, uma grande diversidade marinha em diferentes profundidades do oceano e da costa de cada ilha, uma área biologicamente perfeita para a sobrevivência harmoniosa da fauna marinha sedentária e de migração.

Capraia CostaCapraia é a unica ilha do arquipélago que possui armazenamento natural de água doce.  Faz parte do chamado corredor migratório da fauna, que faz ligação entre Europa e África. Tem uma grande quantidade vegetal e animal de endemismo*. E ainda, está situada no meio do santuário de Cetáceos, volta e meia um cardume de golfinhos e baleias pode ser avistados. Ou seja, um paraíso que a natureza selvagem nos oferece para visitarmos.

Mas o quê fazer propriamente na ilha, além de passearmos pela sua história, sabendo de toda essa beleza que ela nos apresenta? Pois bem, mesmo sendo uma ilha, Capraia nos oferece uma diversidade de boas rotas para praticar trekking, a nossa velha e boa caminhada. Umas mais fáceis outras não tanto. Vai depender da disposição!! Para aqueles que gostam de desafios a ilha é cheia de vales, desfiladeiros e picos.

Capraia Trekking Apenas andando ou desbravando a natureza, não importa, de qualquer maneira as sensações de andar com o Mediterrâneo te acompanhando, com uma fragrância que na primavera é indescritível, com paisagens fantásticas de qualquer ponto da ilha, com seu silencio e sua atmosfera de paz plena, são privilegio de quem visita este paraíso.

Seu litoral compõe uma pintura a parte. Com enseadas banhadas por águas cristalinas, falésias caem ao mar à 300 pés de altura. À leste, em direção ao continente, encontramos as baías protegidas por torres estrategicamente posicionadas, que remontam à época dos combates aos desembarques dos piratas sarracenos na época da República de Gênova.

Capraia TrekkingAo sul está localizado o Cala Rosa, um cone antigo de vulcão, caído em um dos lados e a Ponta Zenobito, com sua torre majestosa posicionada ao topo de um basalto (rocha originária da erupção vulcânica, normalmente de cor escura acentuada) cinza.

Com uma costa ligeiramente inclinada em direção ao mar nos dá a oportunidade de mergulharmos em águas rasas com seu fundo muitas vezes arenoso e claro. La Mortola é a unica enseada de praia, acessível somente por barco, as outras são todas em pedra ou rocha, sendo a maior parte não acessível por terra, salvo as Ceppo e do Zurletto.

Capraia CostaAvistando o ocidente, com Córsega no horizonte, é onde encontramos as falésias** majestosas em seu encontro com o mar. É onde interagimos profundamente com uma natureza selvagem, nos tornando uma coisa só, nada mais. Dizem que tomar banho nestas águas é como se tivéssemos provando um elixir da vida longa. Deve ser mesmo, afinal é o perfeito encontro com a natureza!

Mas para quem gosta de se aventurar ainda mais, suas puras e cristalinas águas oferecem uma inigualável experiência de mergulhar em uma área em que nunca encontramos o escuro. E cada mergulho é um momento único, neles podemos encontrar uma grande variedade de peixes, tais como barracuda com olho- grande, garoupa , sargo, pargo, bancos de areia e rochas que pelas esponjas vermelhas e amarelas que vivem nelas e nos dá um lindo visual subaquático. E ainda todo o tipo de marisco, lebres do mar e lagostas pequenas e dezenas de outros animais marinhos, incluindo aí os alegres golfinhos.

Capraia mergulho IICapraia é isso aí, uma ilha paradisíaca onde podemos ter um contato maravilhoso, profundo, emocionante e inesquecível com a natureza!!

* endemismo – Em geral o endemismo é resultado da separação de espécies, que passam a se reproduzir em regiões diferentes, dando origem a espécies com formas diferentes de evolução. O endemismo é causado por mecanismos de isolamento, alagamentos, movimentação de placas tectônicas. Por exemplo, devido à deriva continental, as espécies de Madagáscar ou da Austrália são exemplos flagrantes de endemismos. (Wikepedia)

** falésias – é uma forma geográfica litoral, caracterizada por um abrupto encontro da terra com o mar. Formam-se escarpas na vertical que terminam ao nível do mar e encontram-se permanentemente sob a ação erosiva do mar. Ondas desgastam constantemente a costa, o que por vezes pode provocar desmoronamentos ou instabilidade da parede rochosa. (Wikepedia)

Capraia mergulho***Fotos do site Isola di Capraia

 

****Texto baseado pelo site oficial da ilha
Publicado por: Flavia Sbragia | 12/10/2013

Ilha de Capraia

Isola di CapraiaAqui vamos sair um pouco do continente com suas belíssimas paisagens, pegar uma embarcação e aportar em uma das ilhas localizadas no litoral toscano. A Ilha de Capraia.

Localizada à noroeste da Ilha de Elba ( a maior e mais conhecida ilha Toscana, terceira maior ilha italiana), Capraia é a terceira maior ilha do arquipélago toscano. Está distante de Livorno, sua província, em 36 km.

Isola di Capraia IÉ uma ilha considerada selvagem por definição. Foi formada por erupção vulcânica dupla onde a mais antiga ocorreu a cerca de 9 milhões de anos atrás, e a segunda a um milhão de anos atrás. Sua geografia nos mostra penhascos íngremes, rochas e cores vibrantes com contrastes de cores. Sua costa foi desenhada extraordinariamente pela lava, mar, vento e erosão. Seu interior é marcado por vales estreitos  onde encontramos verdadeiras miniaturas de montanhas, com cristas e barrancos. Fazem uma espécie de lago, que durante as chuvas de inverno, se enchem de água que corre para o mar formando pequenas cascatas. Sua vegetação predominante é a mediterrânea.

Isola di Capraia IICapraia carrega em sua história algumas reais e outras lendas. Foi inicialmente habitada no final do terceiro milênio a.C.  Habitaram suas terras os povos fenícios, gregos, etruscos e romanos. Durante um tempo foi sede religiosa. Quando o cristianismo foi banido de Roma, comunidades de monges foram se refugiar por lá. Foi fortificada pela primeira vez pelo Império Romano, depois pela República de Pisa e finalmente pelo grupo de San Giorgio, cujas fortificações continuam presentes e foram nominadas por eles. Ainda podemos encontrar o Forte São Jorge e algumas torres pela costa.

CapraiaA parte que envolve lendas mas que de um certo modo foi real, é sobre os ataques piratas. Piratas sarracenos disputaram o território da ilha por ela ter uma posição estratégica para os ataques. no século VII ela pertencia à ilha de Córsega, depois à República de Genova, passando pela República de Pisa,  França, e até mesmo Inglaterra. No Congresso de Viena ela foi atribuída à região da Sardenha, época em que a produção de tabaco teve inicio na ilha. Setenta anos depois foi usada como colônia penal, e durante o fascismo foi lugar de internamento. Em 1986 a colônia penal foi extinta e finalmente em 1989 ela tornou-se parte do Parque Nacional do Arquipélago Toscano.

Capraia IComposta por uma cidade e uma marina, Capraia é uma ilha muito agradável de ser visitada durante o verão. A cidade é bem conservada e um passeio interessante é andar pelos seus becos indo do Forte São Jorge ao Farol em Punta Ferraione conhecendo, assim todos os seus encantos.

Há ainda a Torre del Porto, de origem genovesa, é hoje um local utilizado para eventos culturais e artísticos, a Piazza Milano, que é o centro da cidade. Ainda a Igreja paroquial de São Niccolas, localizada na praça, construída em 1759. Possuí oito altares laterais e é um belo exemplo do período. O Forte São Jorge, atualmente fechado, foi erguido pela República de Gênova e foi palco para a guarnição militar e possível refúgio da população em caso de um ataque de piratas. Abaixo ao forte há um sítio arqueológico pequeno, onde foram encontradas peças que remontam à época romana.

Capria PortoO porto, hoje, é uma pequena mas bem equipada marina. Nele encontramos várias opções de passeios turísticos e uma estrutura para acomodar até 99 barcos. Bares, restaurantes e algumas lojas ainda tornam-o um agitado lugar para badalações noturnas e diurnas durante o verão. Encontramos ainda um parque de campismo, com uma das mais belas vistas do Mar Mediterrâneo.

Continua

*Fotos do site Isola di Capraia

** Texto baseado pelo site oficial da ilha
Publicado por: Flavia Sbragia | 06/10/2013

Festa da Polenta

PolentaAinda sem sairmos de Vernio, vamos aqui falar de uma festa tradicional da localidade. A Festa da Polenta, também conhecida como Festa da Miséria ou Festa da Pulendina.

Parte história, parte lenda, o fato é que em 1512 houve uma grande e terrível fome em Vernio. Causada em Prato e no Vale de Bisenzio, pela invasão espanhola durante a guerra contra Florença. Diz-se que na ida para Prato, as tropas mercenárias de  Barberino ao passarem por Vernio saquearam todos na cidade, não deixando nada. Essa “visita” ficou conhecida como “Saco de Prato”.

Ao ver o que tinha restado dos alimentos se esgotando e a população da cidade entrando em uma terrível miséria, o Conde Bardi, senhor e vassalo de Vernio, resolveu distribuir gratuitamente para seus súditos polenta feita de farinha de castanha, arenque e bacalhau. Salvando, assim, a população da total miséria e fome.

Polenta festaDesde o final do século XVI até hoje esse gesto de generosidade é comemorado no primeiro domingo da quaresma (anteriormente era festejada na quarta-feira de cinzas), na praça de San Quirico di Vernio, na frente do Casone, agora a Câmara Municipal. Onde é feita toda a encenação e distribuição da polenta e onde também podemos saborear outros produtos da região.

A Festa dura cerca de três dias com eventos culturais e folclóricos. No domingo, dia principal da festa, pela manhã há um cortejo histórico, organizado pela “Società della Miseria di Vernio” (grupo que mantem as tradições da região) com pessoas vestidas com roupas medievais lembrando os nobres e seus empregados, músicos, cavaleiros e soldados.  Também participam várias associações históricas da Toscana e de outros lugares do exterior. Estão presentes no desfile: a bandeira do histórico Grupo Conti Bardi e bandeiras com a insígnia das nove terras de Vernio ( de acordo com um documento do século XVIII preservada no Castello Guicciardini Poppiano ).

Polenta festa

Após o desfile há a cerimonia de leitura do pergaminho, que em rima, conta o oferecimento do Conde Bardi à população. Após a leitura são oferecidas nas ruas da cidade, mais propriamente a  tarde,  a polenta feita com a castanha da região.

Hoje, tornou-se também uma forma de difundir e celebrar um dos produtos típicos do Vale de Bisenzio, as castanhas. Muito utilizadas para, além da polenta doce, fazer bolos e panquecas.

** Fotos de Ernesto Bartolozzi tiradas do site da comuna di Vernio

 

 

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